Das cartas não mandadas
Caneta preta. Papel cheio de linhas, também pretas. Uma mente de indefinições, sendo a maior delas a saudade. Passou a escrever:
“Querida,
Eu sinto falta da sua constância. Da sua modéstia e inteligência tão bem trançadas. Eu sinto falta da sua maneira de ‘abraçar’ os cadernos. Sinto falta de te ver sentada no chão com as crianças e do brilho dos seus olhos que esses momentos provocavam. Eu sinto falta da firmeza com que segurava minha mão e me abraçava.
Saudade de tempos ainda mais antigos, daqueles de fazer comidinhas com qualquer coisa que existisse no quintal e das nossas aventuras na selva de bancos. Saudade de te esperar na janela da minha lavanderia, de andar pelo corredor de pedras em bicicletas evidentemente pequenas demais para nosso tamanho e de dividir até mesmo a louça nossa de cada dia.
Eu sinto falta da sua organização e meiguice. Das vezes que você, com paciência e cuidado imensos, cuidava das minhas unhas e do meu coração. Sinto falta até mesmo de somente saber estar no mesmo recinto que você. Saudade dos olhos apertados e das covinhas que aparecem quando você sorri. E essa falta me dói, me embrulha o estomago e me dificulta a respiração.
Isso porque eu te amo, amiga. E você foi embora sem se despedir. E eu continuo a te amar. A amar também, na mesma proporção e medida, o que nós fomos juntas.
Sempre sua,
Carolina”.
Ainda sem enxugar as lágrimas, como se curti-las ajudasse a curar suas indefinições, arrancou a folha do caderno. Dobrou-a e colocou-a num envelope. Escreveu, para identificar, “Uma carta saudosa para uma amiga distante” no envelope. E disse a si mesma que essa seria mais uma das cartas que nunca sairia daquela caixa, a caixa das cartas jamais lidas por outros olhos.
Luiza disse,
janeiro 2, 2010 às 9:19 am
Não li ainda! Tenho tanta coisa dele pra ler, ainda… haha
Vou atrás, obrigada pela dica
Feliz ano novo pra você também!
Vê se escreve mais em 2010, gosto de ler
;*